Antecipar situações de contigência através de um PCN gera lucros e dividendos

20 de abril de 2016

Há mais de um ano tenho escrito a respeito do despreparo generalizado das empresas nacionais para a ocorrência de eventos que possam afetar seus negócios.

Na maior parte das vezes, ouço os empresários e gestores de empresas responderem que “o Brasil não é um país com as características norte-americanas de dependência da tecnologia de informação ou de sofisticação nas atividades de operação nos negócios”.

O que estas pessoas não percebem é que, para o bom consultor de Continuidade de Negócios, não existem diferenças significativas entre causas e efeitos. O que lhe interessa é apenas uma coisa: garantir que os principais Processos de Negócios realizados pela empresa não sofram interrupçâo, mantendo suas operações.

No ano passado, a maior ameaça surgida no país foi a disposição estatal de realizar os cortes de energia, com o intuito de reduzir o consumo. Ao invés de procurar se defender com a criação de Planos para definir atividades de contingência e de resposta, a maioria das empresas preferiu investir em meios alternativos de fornecimento de energia.

Seja através do aluguel de geradores, seja na contratação de empresas de infra-estutura, para migrar seus sistemas para ambientes que apresentem redundância, as empresas brasileiras preferem acreditar em componentes físicos ao invés de investir quantias menores na elaboração de estratégias e na execução de planejamentos.

O comentário feito por um empresário durante a negociação de um Projeto de PCN para sua empresa, resume a opinião da maioria das pessoas: “…é difícil acreditar que uma folha de papel possa trazer mais garantia ao funcionamento da minha empresa, do que um gerador movido à diesel, maior que o meu automóvel…”.

O que deve ser percebido, antes de vendido, é que nos países que sofrem eventos naturais constantes ou que sofrem atentados de organizações como a Máfia ou o Taleban, não se pode cogitar de oferecer um serviço -seja público ou privado- sem que hajam garantias de continuidade, independente dos eventos considerados.

Em última análise, o resultado de um PCN bem elaborado não se prende ao evento causador da interrupção de atividades. Muito pelo contrário: deve se ater às medidas necessárias para garantir a operação dos processos de negócios.

As empresas que investiram na contratação de consultorias, para contornar a ameaça de apagões do ano passado, hoje colhem dividendos em situações de blecautes. O que dizer em relação às empresas que alugaram geradores para aquele período, estando hoje sem nenhuma alternativa de energia ?

O que dizer das empresas que colocaram seus aplicativos críticos em empresas de hospedagem, garantindo a continuidade de componentes de infra-estrutura (energia, links de comunicação, etc.) e que perderam contato entre suas filiais e seus servidores, por não contarem com alternativas para trabalhar nesta situação ?

Quando falamos em PCN, não estamos focados apenas em um aspecto do negócio ou uma ameaça. Consideramos sempre (e prioritariamente) a manutenção das principais atividades da empresa, independentemente dos eventos ou do prazo em que ocorram.

Como você ou sua empresa trabalharam, por ocasião do blecaute que afetou parte dos estados das regiões sudeste e centro-oeste, no dia 21/01/01 ?