Quebrando paradigmas sobre custos de projetos para vender sua idéia ou uma introdução ao ROI

29 de abril de 2016

Via de regra, uma das maiores dificuldades em se desenvolver um projeto, seja ele qual for, é a limitação imposta pelo orçamento da sua empresa.

Como mostrar ao seu Diretor ou Presidente, que a preocupação com a continuidade dos processos é fundamental para a manutenção da posição da empresa no mercado ou mesmo para atingir a meta de faturamento estipulada ?

Geralmente as pessoas se preocupam em “dourar a pílula”, apresentando as vantagens que determinado trabalho irá agregar aos fluxos existentes. Com algumas variações, a preocupação maior das pessoas está no conteúdo do Projeto e não no valor agregado que ele traz.

Isso nos leva diretamente ao conceito de ROI (Return of Investiments).

Como não podia deixar de ser, o Retorno de Investimentos é um conceito norte-americano que, em tese, nos apresenta o quanto nossa Empresa irá lucrar com o investimento em um projeto. Em tese, porquê existem valores que não podem ser mensurados, tais como o market share em um determinado momento do ano ou o custo de oportunidade pela venda perdida.

Caso número um: suponhamos duas empresas fabricantes de filmes para fotografia. Poderia usar um exemplo de refrigerantes, mas este caso é mais específico.

Como vocês podem imaginar, o produto “FILME” possui uma demanda de alta sazonalidade. Isto é, nos períodos de férias e feriados prolongados, são altamente procurados.

Agora, imagine se em uma destas duas empresas. suas unidades de fabricação, ou estoque, ou mesmo vendas, sofre uma parada. Seja por qualquer motivo: um incêndio seguido de explosão, como o ocorrido na
unidade química de uma multinacional alemã em SP há algum tempo ou uma greve de transporte, ou mesmo uma interrupção nas linhas telefônicas da central de pedidos.

Adivinhe qual das duas empresas aumentará sua participação no mercado ?

Infelizmente o problema não se resume a isso. Como a maioria dos empresários sabe, o problema será retomar o percentual de mercado absorvido pela concorrente, que passará a ter uma quantidade de pontos de venda maior e, por conseqüência, uma demanda maior.

Qual o valor deste percentual perdido ? Qual o custo de recuperação deste percentual ? Qual o tamanho do prejuízo acumulado com as perdas decorrentes da parada na unidade afetada, mais o prejuízo de imagem, mais o prejuízo de recursos humanos aguardando a recuperação ?

Caso número dois: vamos pensar em termos de uma empresa na Internet. Um provedor de acesso, por exemplo. Digamos que ocorra um Evento capaz de paralisar o acesso de seus usuários à Internet. Nada muito drástico. Digamos que o sitema de autenticação de login, das centrais de conexão, parem de funcionar.

A pergunta é: por quanto tempo este provedor irá manter seus clientes, se o problema se prolongar por mais de um dia ?

Hoje, com a facilidade de acesso gratuito, a única restrição se dirige à endereços que são usados profissionalmente.

Os usuários domésticos, mais que rapidamente irão procurar alternativas de conexão. E, se vocês têm filhos adolescentes, provavelmente eles já possuem os dados para configuração de conexão com provedores gratuitos à mão.

Não se deve imaginar que os custos investidos em projetos de continuidade sejam dinheiro empatado. Ao contrário do que ocorre quando se compra um automóvel, o produto não se desvaloriza. Muito pelo contrário: a tendência é de que o resultado apresentado valorize os processos das empresas, uma vez que se tornam parte do produto.

Existe uma tendência no segmento industrial, de se garantir a continuidade da linha de produção, que é a espinha dorsal da empresa. Uma parada neste processo, pode acarretar prejuízos incalculáveis, abrangendo desde a área de armazenagem até a perda de mercadoria.

Não faz muito tempo, a GM acionou um plano de contingência focado na sua linha de produção da fábrica em Gravataí (RS), pois a monitoração do estoque indicou que eles estavam prestes a sofrer uma parada por falta de matéria prima.

Até helicópteros foram acionados, para interceptar um comboio que havia se atrasado na estrada e transferir parte do material para a fábrica, antes que o estoque terminasse.

Um cálculo de ROI auxilia a avaliação de perdas financeiras para a empresa, em caso de ocorrência de Eventos. Agregado à BIA (Business Impact Analysis ou Análise de Impacto no Negócio), você passa a saber os prejuízos advindos em uma determinada situação, podendo utilizar isto como o argumento de defesa do seu Projeto.

Entretanto, vale uma ressalva: não é a metodologia que nos acode. É o conhecimento dos fluxos de processos, avaliados e validados junto a cada um de seus gestores, para que a informação final não seja uma mera estatística. Um dos maiores erros cometidos quando se utilizam estas ferramentas, é a avaliação superficial de custos, desprezando-se as conseqüências indiretas sofridas.

Conseqüências estas, que geralmente cobram seu preço a médio e longo prazos, contabilizando juros e correções monetárias.