Terceirização e parceirização: sinônimos de continuidade

29 de abril de 2016

A maior parte das empresas realiza, em maior ou menor proporção, a terceirização ou -como prefere o Prof. Dernizo Pagnoncelli- a parceirização” de processos que não estejam relacionados com o seu principal negócio.

Entretanto, ao longo de nossa vivência em projetos de continuidade, pudemos perceber que a preocupação das empresas está voltada para a realização dos processos objetos da relação, deixando de lado as atividades ou responsabilidades em caso de interrupções ou ocorrência de
Eventos.

Como exemplos mais básicos, podemos citar o caso de fornecedores de links de comunicação ou de servidores.

As empresas se preocupam em contratar um determinado serviço, com garantia de fornecimento e algum tipo de penalização, caso haja suspensão ou paralização. No caso do Servidor, em regra se exige uma garantia de atendimento. Seja on-site ou limitado a um determinado prazo para
atendimento ou troca.

Em ambos os exemplos, geralmente não são consideradas opções focadas no atendimento e continuidade do contratante (cliente). Para os fornecedores de serviços ou produtos, o objetivo principal do contrato é colocado em segundo plano, justificando-se pelo pagamento de multas ou concessão de descontos, no serviço prestado.

Seja como for, o principal objetivo do contrato é relegado, face à uma pseudo-compensação que não satisfaz nem ao contratante nem ao contratado.

Ambos perdem: pela falta de prevenção da parte contratada, preferindo pagar um valor negociável, e pelo descaso do contratante, achando que a cobrança de uma multa maior que o valor pago pelo serviço prestado é justificação da tranquilidade.

É necessária uma mudança na forma de negociar, considerando a contratação de fornecedores e parceiros como uma alternativa salutar de fortalecer o foco em Continuidade.

Como exemplos complementares, podemos citar o fornecimento de energia elétrica ou de telefonia convencional.

Em ambos os casos, atualmente, podemos contar com fornecedores alternativos que poderiam ser acionados pela própria empresa contratada, visando a redução de tempo de resposta para eventuais problemas, relacionados ao fornecimento de seus próprios serviços.

Infelizmente as empresas fornecedoras, seja de produtos ou serviços, ainda não perceberam a potencial valorização de seus contratos, caso pudessem agregar o diferencial de Continuidade.

Ao longo dos últimos anos, tem havido uma leve mudança no rumo do mercado. Evidências de uma procupação maior com segurança e contingência estão se tornando mais comuns, apesar do conformismo natural e inerente à cultura brasileira.

Com a crescente profissionalização do mercado de segurança e do ingresso de companhias multinacionas, as empresas passem a encarar a Continuidade como um fator de vantagem competitiva e de diferenciação no mercado.

O paradigma de que garantir a Continuidade e prover a Contingência são custos adicionais vai cair com o tempo, da forma como houve com a preocupação com o meio ambiente e os impactos sociais.

É tudo questão de tempo. Tempo que não podemos nos dar o luxo de desperdiçar.